domingo, 11 de setembro de 2011

BOI NA SOMBRA - Um equívoco de juízo de fato e de valor

O jornalista Túlio Milman comete enorme equívoco, ao justificar sua opinião em artigo de ZH, de que a Oficialidade Superior da Brigada (Coronéis) são um “boi na sombra”. A notícia faz sugerir à opinião pública de que vivemos nababescamente, com polpudos estipêndios recebidos do erário público. O que não é verdade. Ao contrário, todos sabem que nossa carreira sempre foi espartana, sofrida e mal remunerada. Sem nenhuma base factual ou parâmetro, conhecimento ou mais informação, que possibilitasse inteirar-se do que realmente “se passa” no nosso cotidiano, não soube o referido jornalista estabelecer uma correta diferenciação entre juízos de fato e juízos de valor.


Quem se aventura a emitir juízo de fato, apenas para “aparecer” no noticiário, não fica imune à críticas, ainda mais tratando-se de um profissional de imprensa. Quem diz o quer na mídia, (somente o juízo de sua percepção), portanto ilegítimo moralmente, pois não encontra consonância com os nossos valores mais caros, como costumes e crenças e tradições da Brigada Militar (juízos de valor), acaba ouvindo o que não quer ou não esperava, principalmente nas redes sociais.


O Milman deveria antes de publicar a matéria, verificar melhor as “fontes” desses juízos de valor pelos quais nos assentamos e nos consensos éticos e morais que forjaram e imprimiram nosso caráter na história do Rio Grande. Se quis nos desmoralizar ou não, o tiro saiu pela culatra. O efeito contrário dessa bobajada toda, pode bem significar um “surto” classista inédito aos nossos dilemas comuns, coisa da pós-modernidade, que pode modificar nosso marasmo e desesperança, pois foi “veneno” puro na nossa veia.


Para quem estudou um pouco de Ética, sabe que ela reflete sobre o comportamento humano sob o ponto de vista das noções do justo e do injusto, auxiliando em nosso agir diante dos desafios morais. Prefiro então, pensar que o jornalista Túlio Milman foi injusto conosco, tratando-se esse juízo, uma mera ação impensada, uma “inconveniência” de fato.


Um abraço do Bortoli.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

ACHO QUE SOMOS VÍTIMAS, SIM!

FRUTO DE UMA DEMOCRACIA AINDA IMPERFEITA


Graças a um manifesto assim tão instigante, trazido às luzes pelo nosso colega Coronel RR Otomar J. Kônig, postado no Blog da Frente dos Oficiais Superiores da BM em 19 de agosto de 2010, cuja leitura prévia é recomendada a todos, acabou configurando-se em uma ótima oportunidade, ainda que tardia, para fazermos uma boa reflexão sobre nossa relação com o momento de crise existencial, manifestada nas perplexidades éticas e comportamentais que vimos ampliarem-se, a cada dia nas instituições brasileiras. Há muita pertinência (valor) nas afirmações que o referido Oficial nos relata na sua inflexão, acerca do que aconteceu de “ruim” conosco nas últimas décadas. Apoiado em premissas filosóficas, tentarei contribuir para desvelar um pouco as questões levantadas. Inicialmente diria que está nos faltando uma fórmula geral de organização, que nos envolva numa perspectiva de conjunto. Seria algo parecido com aquilo que os filósofos pré-socráticos definiram como “arkhé” (princípio), capaz de agregar toda a multiplicidade de interesses das Associações de Classe da Brigada Militar em um amálgama único, inclusive na hora do sufrágio direto. Creio não ser uma tarefa fácil conciliar entidades com perfis tão díspares em um consenso comum. Será preciso muito entendimento e tolerância, ao contrário do que aconteceu, por ocasião do reajuste dos 19,9%. É duro admitir (mea-culpa) que não soubemos até hoje, interpretarmos a realidade à nossa volta ou atuarmos sobre ela, permitindo a entrada das mais variadas formas de manipulação nas nossas hostes. O governo militar disse que nos salvou do comunismo no seu longo período de mandato, todavia, com seu viés autoritário, acabou nos remetendo para um vácuo de pensamento e unificação de consciências, calando o nosso direito à subjetividade. Por sua vez, o poder político civil que assumiu o país com a dita ”redemocratização”, cresceu rápido demais, passando a nos dominar totalmente, levando-nos a realizar um projeto de vida que não escolhemos. Sem autonomia alguma, fomos incapazes de desenvolvermos de modo satisfatório, como os políticos souberam fazer com tanta maestria, e nem tampouco, construímos uma ética eficiente, que atendesse as nossas necessidades básicas e instrumentais. Com isso, nossa geração ficou estagnada, sem auto-estima, sofrendo na carne todo esse doloroso processo, e que ainda ameaça-nos, de gastarmos mais uma geração, aprisionados que ficamos nessa redoma perversa. Que fazer para mudarmos este desalento? Ora, teremos que nos reinventarmos de novo. Desta vez, mais pragmáticos e menos ilusórios, sopesando os erros cometidos, angariando musculatura e a força coletiva necessária, para criarmos estratégias que orientem um futuro mais decente aos integrantes da Corporação. Estas minhas razões, tem tudo a ver com a nossa justa luta pela sobrevivência e dignidade, pelo menos, levando em conta, o respeito e a boa-fé aos cidadãos de bem que realmente somos. E como profissionais de segurança pública, para além da falta de reconhecimento e desprestígio perante o status quo, entendo que já estamos pagando um preço caro demais. Sobre isto, já dizia o filósofo ateniense Sócrates (470-399 a.C) em sua dialética mordaz: “Ai daqueles que perdem a percepção ou o entendimento de sua própria alma”. Ele entendia a “alma” como a nossa atividade pensante e eticamente operante. É isso mesmo. Parece que não soubemos cuidar bem de nossa alma e a perdemos, pois tratemos de recuperá-la logo, meus amigos, pois ainda dá tempo. Um abraço do BORTOLI – Tenente Coronel da reserva e Acadêmico em Filosofia. (OBS: Este artigo foi escrito no final de 2010 e será proposto para publicação na nova Revista da ASOFBM ).

sábado, 6 de novembro de 2010

O FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO: Seus preceitos, causas e relação com o terrorismo

1. Preceitos gerais: O fundamentalismo islâmico caracteriza-se pela rigorosa aplicação dos preceitos do Corão, principalmente a “sharia” (legislação suprema), que define as práticas dos muçulmanos no seu dia-a-dia, com relação ao comportamento, atitude e alimentação. Consideram como “impuros” os valores e costumes ocidentais. 2. Suas causas principais: Para que entendamos este fenômeno da pós-modernidade, citaria algumas: - A crise de identidade do mundo árabe e muçulmano; - A repulsa pelo colonialismo, neo-colonialismo e ao socialismo soviético: - O descrédito nos seus modelos políticos convencionais; - A atração pelo pan-arabismo; - A reação ao laicismo e ao reformismo: - A reação etnocêntrica marcadamente xenófoba; - O sentimento de humilhação em relação às grandes potências ocidentais; - A influência da revolução iraniana de 79; - Os efeitos do colapso da União Soviética e também o fim da guerra fria. 3. Relações com o terrorismo: Antes, é preciso diferenciar o termo “terrorismo” da religião de Maomé, que tem milhares de fiéis no mundo. Inspirado na “Jirad” (guerra santa), o fundamentalismo islâmico assusta pela violência de suas ações, todavia, a maioria dos muçulmanos repudia estas ações. Existe hoje uma guerra declarada de forma seletiva pelos EUA, centrada no terrorismo desenvolvido pelo radicalismo islâmico, que contra-ataca à sua maneira, alvos ocidentais, regimes muçulmanos moderados e pró-ocidentais e finalmente, a sua hostilidade permanente com Israel, ainda longe de uma solução pacífica e consensual.








Sites pesquisados:

.http://www.espacoacademico.com.br/006/06almeida_isla.htm
.http://www.ciari.org/investigação/fundamentalismos_religiosos.htm>
http://www.reservaer.combr/est-militares/euaxislamico.html>

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CONCEPÇÃO DE "ALMA" PARA PLATÃO E ARISTÓTELES

I – Concepção de alma (para Platão): Ele concebe o homem como um ser composto de corpo e alma. O corpo, constituído de matéria, está sujeito às leis da physis e está em constante mudança. A alma (psykhé, princípio que move o homem) é imutável. Por estar unida ao corpo, a alma precisa se adaptar a ele. Nessa união, ela acaba assumindo três aspectos diferentes que, embora se complementem, se desenvolvem, e se manifestam em ritmo e intensidade desiguais, podem entrar em conflito entre si, às vezes. Assim, a alma do ser humano engloba três funções, cada uma delas associada a uma parte do corpo. Embora ela seja una e indivisível, manifesta-se como se fosse uma composição de três almas diferentes, objetos da psicologia aristotélica: 1) Elemento apetitivo ou concupiscente: no baixo ventre, com função de prazer, dor, desejo e das necessidades corporais (alimentação, repouso, sexualidade); 2) Elemento irascível: no tórax, com função de sentimentos (coragem, covardia, amor, ódio, etc.); 3) Elemento racional: na cabeça, com função de razão (faculdade ativa e superior, capaz de diferenciar o bem e o mal, a ilusão e a verdade). Essa concepção de alma é a base da ética platônica. A cada parte da alma, Platão ainda atribui uma virtude específica, acrescentando ainda uma quarta virtude, a Harmonia do conjunto: que é Justiça, o correto ordenamento das outras três virtudes, assegurando a cada parte da alma a realização de sua função, subordinando, mas não submetendo a Moderação à Fortaleza, e ambas à Prudência.
II – Concepção de alma (para Aristóteles): a matéria não possui nenhum movimento intrínseco. No entanto, encontramos na natureza seres animados, os quais possuem em si mesmos um princípio de movimento. Esse princípio é a alma. Ela é forma que organiza os seres animados. Aristóteles a define como “a alma é aquela coisa devido à qual vivemos, sentimos e pensamos”. Segundo a teoria formulada na obra Acerca da Alma, enquanto que em alguns seres a alma possui apenas uma função ligada à manutenção da vida, em outros, ela apresenta funções mais complexas. Fundamentalmente, a alma pode apresentar três funções distintas, que leva Aristóteles a falar de três partes da alma, ou mesmo de três almas: 1) a alma vegetativa: é o princípio que regula as atividades biológicas. Está presente em todos os seres vivos, plantas e animais, e inclusive no homem. É responsável pelos instintos, pelos impulsos, crescimento, nutrição e reprodução; 2) a alma sensitiva ou desiderativa: está presente somente nos animais, é responsável pelas sensações, pela percepção das peculiaridades dos objetos com os quais os animais entram em contato. Essa alma ainda coordena os movimentos corporais; 3) e a alma intelectiva ou pensante: que é uma exclusividade do ser humano. Ela é a capacidade de pensar discursivamente, de elaborar teorias e de pensar em explicações. É dela que deriva a capacidade de formular juízos sobre a realidade.
III - Comparações entre ambos: Verificamos que tanto Platão como Aristóteles compartilham o mesmo pensamento, de que a alma é um ser que se move por si. Entretanto, para Platão a alma é dotada de partes reais, no que, na concepção de Aristóteles, ela é dotada de unidade. Platão também admite a imortalidade da alma enquanto na teoria aristotélica a imortalidade é parcial. Segundo Aristóteles, diversamente de Platão, todo ser vivo tem uma só alma, ainda que haja nele funções diversas, faculdades diversas, porquanto se dão atos diversos. Assim, conforme Aristóteles, diversamente de Platão, o corpo humano não é obstáculo, mas instrumento da alma racional, que é forma do corpo. A teoria psicológica de Platão carece de todo valor científico, baseando-se no mito da preexistência das almas. Esta alma está presa ao corpo com uma união acidental, violenta e antinatural, sendo que o corpo é o túmulo da alma, decaída de uma vida feliz anterior. Já a psicologia aristotélica investiga sobre a alma, fixando-se em seus atos, dos quais deduz sua natureza e propriedades. Não considera a alma com coisa estranha ao corpo, senão que é seu princípio vital, unida a ele naturalmente como forma à sua matéria, de maneira substancial, constituindo um composto único e natural, que é a pessoa humana. Na questão de gênero e sua importância histórica, Aristóteles dizia que no homem havia inteligência na alma, capaz de aprender a essência de modo independente da condição orgânica. Já a mulher era considerada um ser incompleto, um meio-homem para Aristóteles. Na reprodução, ela seria passiva, ao passo que o homem seria ativo, aquele que semeia. A concepção de corpo como cadáver ou sepultura da alma advém do orfismo pitagórico, migra depois para Platão, e vai constituir a filosofia aristotélica. Embora Aristóteles elabore uma teoria da alma bem mais complexa que a de Platão, ele não chega a se desprender totalmente das bases estabelecidas pelo seu antigo mestre. Finalizando a questão, diria que muitos pensadores, desde os primórdios do pensamento humano, tentaram questionar o que vinha ser a alma, de onde vinha, para onde iria, mas somente Platão e Aristóteles conseguiram sistematizarem grandes teorias, ou mesmos sistemas, sobre a alma, que posteriormente, acabaram influenciando as concepções de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino e ainda, de forma mais geral, à questão das tensões aristotélicas e platônicas na psicologia que se faz presente até os tempos relativamente recentes.

A ATUALIDADE SOCIAL DO MARXISMO

Busco apoio num escrito de Mandel (1983), para dizer que a influência do pensamento de Karl Marx sobre a realidade social atual parece mais forte do que nunca. O marxismo sendo a unidade de dois movimentos, um teórico, outro prático, faz-se necessário um esforço para precisar a sua atualidade. Num primeiro aspecto – o da capacidade de análise e de previsão científico – é particularmente positivo. Marx compreendeu no seu tempo, a dinâmica grandiosa das revoluções tecnológicas inerentes do modo de produção capitalista, em função da propriedade privada, da economia de mercado, da concorrência e da sede insaciável que resulta da extorsão crescente da mais-valia do trabalho vivo a fim de acumular cada vez mais capital. Ele compreendeu que brotaria o monopólio, submetido a uma concorrência cada vez mais feroz, onde os pequenos sendo esmagados pelos grandes sem piedade. Também previu a ocorrência de crises econômicas e guerras, de custo humanitário incalculáveis. Num segundo aspecto – é o da prática – graças ao estímulo de Marx e seus seguidores a luta pela organização operária contra a burguesia, trouxe muita lucidez permitindo parcialmente um sentido emancipador, mencionando algumas conquistas: a luta pelo limite do dia e horas de trabalho; suprimir, pela atividade revolucionária, todas as condições sociais que fazem o ser humano um ser escravo, miserável, oprimido, explorado, criando uma sociedade na qual o livre desenvolvimento de cada indivíduo se torna a condição do desenvolvimento de todos. Embora esse projeto no seu conjunto ainda não se realizou em parte alguma, pode-se afirmar que sem Marx e Engels, o mundo teria sido bem diferente e muito mais desumano do que ele é.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

MEU AMIGO (A)! SABIA QUE VOCE PODE SER MAIS?


(BASTA TER CONSCIÊNCIA DISSO)


O ser humano não se encontra, ao nascer, plenamente constituído em seu ser. Ele é ainda um ser “por fazer-se”, e tem um longo caminho a percorrer, enfatiza o Professor de Filosofia PEDRO GAMBIM, na sua obra “A vida Humana, 1987”. Ele pode ser mais, muito mais do que sua aparente fragilidade inicial. Porém, precisa assumir o compromisso de realizar sua vida como um projeto seu. Nós (todos) somos fruto de nossas escolhas. Escolher, eis o grande desafio! Escolher o bem, o que é melhor, para si mesmo, para os outros e para o mundo. Dentre as necessidades do ser humano para realizar sua vida, uma se impõe sobre as demais: compreender a vida e dar sentido a ela. A frase do filósofo latino Sêneca (4 a.C - 65 d.C) explica que: “Não há vento favorável para aquele que não sabe aonde vai”, mostrando com muita clareza, a necessidade de termos objetivos na vida. A vida humana é feita de luta, esforço e dedicação, o que nos permite preparar e construir um futuro. Não importa o que temos que esperar pela vida, mas o que a vida espera de nós. Para tanto, precisamos ter objetivos, metas e ideais, sobretudo ética, para discernir o que é bom para o indivíduo e para a sociedade como um todo. O poeta brasileiro LINDOLF BELL (1938-1998), num de seus belos poemas, disse: “somos do tamanho de nossa esperança, que menor do que o meu sonho... não posso ser”. Quer dizer, sem sonhos, sem esperanças, sem objetivos na vida, não somos capazes de interpretar o mundo, tudo que nos rodeia e nem a nós mesmos. Os objetivos atualizam a esperança e nos tornam mais fortes. Fazem-nos acreditar que é possível alcançar uma vida melhor e mais humana. Dão-nos a certeza de que somos seres inacabados, de que ainda não estamos prontos. Acerca disso, o médico psiquiatra e escritor austríaco VIKTOR FRANKL (1905-1997), vítima do holocausto nazista, no seu livro “Em busca de sentido”, relata-nos como foi possível transformar numa vitória interior, toda aquele martírio profundo, para o seu crescimento pessoal e humano. Como encontrou força (razões) para continuar vivendo? Disse ter sido no próprio sofrimento. Viver significa sofrer também. Alegou que esse motivo poderia ser ainda o amor, uma obra ou uma meta qualquer, que faça o homem desejar continuar vivo, assumindo a responsabilidade de sua existência. O homem tem que ter consciência de que não existe simplesmente, que ele pode decidir sua vida, pois tem plena liberdade para isso. Por exemplo, uma doença terminal pode não ser mudada, mas que podemos mudar a maneira de como vamos enfrentá-la. Acredito que encontrar (mais do que dar) um sentido para sua vida, através de sua consciência, torna-se a maior tarefa do ser humano na terra. Para aquele que pensa em jogar a toalha, deixar de lutar pela própria vida na busca de contentamento e felicidade, deixo para um aforismo do filósofo alemão FRIEDRICH NIETZSCHE (1844-1900), para refletir, que diz: “Quem tem um porquê para viver, suporta qualquer como viver!”. A falta disso estabelece um vazio existencial que se configura em tédio e angústia. Obrigado por ser meu amigo. Um abraço do BORTOLI, Tenente Coronel da reserva e Acadêmico em Filosofia.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CONCEITOS SOBRE FILOSOFIA - LEIA COM ATENÇAO E REFLITA SOBRE SEU PAPEL NO MUNDO

No início de todo o estudo sobre o conceito de Filosofia surgem inevitavelmente indagações sobre o que ela é. Ao buscar os conceitos percebi a existência de vários significados atribuídos à Filosofia, inclusive respostas que parecem contradizerem-se. Na concepção clássica, a Filosofia era considerada a crença das coisas por suas causas supremas. Modernamente, ela prefere falar em filosofar. O filosofar é um interrogar, é um questionar a si e a realidade. Portanto, a Filosofia não é algo feito, acabado. A Filosofia é uma busca constante de sentido, de justificação e possibilidades de tudo que envolve o homem em sua existência.
1. Resposta: A noção de Filosofia, para ARANHA (1993, pp 71-76), começa pela passagem do mítico para o racional, com a palavra grega Philoshopia, que significava, “amar a sabedoria”. Observe-se que esta etimologia não é um puro logos (pura razão): Ela denota por si mesma, uma procura amorosa da verdade. PITÁGORAS (582-507 a.C), não gostava de ser chamado de “sábio”, e retrucava, dizendo ser apenas um amante da sabedoria, ou seja, um filósofo. Já SÓCRATES (470-399 a.C), reconhecendo que sua sabedoria não tinha nenhum valor, guiava-se pelo princípio de que nada sabia, e desta perplexidade primeira, iniciava-se a interrogação e o questionamento do que lhe é familiar. E, para PLATÃO (427-347 a.C), a primeira virtude era admirar-se, condição de onde deriva a capacidade de problematizar, o que marca a filosofia não como posse da verdade, mas como sua busca. Podemos então, entender a filosofia como uma atitude. Ela não implica em um corpo de conhecimentos. Ao contrário, ela é uma prática, um exercício do pensar. KANT (1724-1804) costumava dizer os seus alunos: “Não há filosofia que se possa aprender, só se aprende a filosofar”. Dessa forma, “a atitude do filósofo é caracterizada pela humildade intelectual de quem convive com a dúvida ”(CATANEO, 2008), já que ele não é alguém que detém o saber, mas alguém que está sempre a sua procura. O filósofo é aquele para qual a realidade é sempre objeto de admiração crítica, espanto e encantamento. A filosofia, portanto, é o conhecimento do homem sobre si mesmo e o mundo, e que diante desta afirmação, um universo de saberes e mistérios podem ser vislumbrados.

2. Resposta: Foi Pitágoras (570-490 a.C) quem utilizou a primeira vez a palavra filosofia, do grego filoj + sofia: em vez de chamar-se sábio, dizia-se apenas um amante, amigo da sabedoria. Por isso, os sábios gregos passam a serem chamados de filósofos. A filosofia começa pela admiração que se sente diante do fato, de que as coisas existirem e serem tais como são. Daí surge a curiosidade de saber as causas da existência da realidade. Alguns alegam que a filosofia nasce da dúvida que o mundo nos causa ou da vocação natural do homem em procurar entender tudo o que lhe rodeia. Foram os pensadores gregos Platão (427-347 a.C) e Aristóteles (384-322 a.C) que definiram a filosofia como sendo: a busca do conhecimento das causas mais profundas de toda a realidade, incluindo à do próprio homem. Assim, o homem passa a buscar uma explicação racional para o mundo, não se contentando mais com as míticas e lendárias, em que os fenômenos eram todos atribuídos aos deuses. Este amor ao conhecimento faz o homem aprofundar as questões, cada vez mais transcendendo o sensível e empírico e apresentando cada vez mais as fórmulas de explicações mais abstratas e universais. A partir de então, a filosofia é o desejo que nasce da vontade da alma de possuir pela razão, o conhecimento certo de toda a realidade que sentimos, vemos e não vemos. A filosofia não aniquila ou reprova o conhecimento sensível do mundo, apenas o ordena para uma forma inteligível, tornando-o abstrato e compreensível de um modo intelectual. O filósofo, pois, é aquele que ama o saber e o busca sem querer nada em troca, porque busca o saber pelo saber.

3. Resposta: A história à Pitágoras a utilização pela primeira vez da palavra grega Filosofia, união dos termos (philos) e (Sophia), significando amor pelo saber, amizade à sabedoria, busca do saber. A Filosofia, mais do que um determinado conjunto de idéias, é uma atitude. O filósofo não pretende ser o mais sábio, nem ser o dono da verdade, todavia está sempre em busca do saber mesmo tendo consciência que nunca chegará a um termo final. Karl Jaspers afirma que a essência da Filosofia é a procura do saber e não a sua posse. Fazer filosofia é estar a caminho. As perguntas são mais importantes que as respostas. Cada resposta transforma-se em uma nova pergunta. Na atitude filosófica há uma grande humildade que se opõe ao orgulhoso dogmatismo do fanático, que se julga o proprietário da verdade, ao passo que o verdadeiro filósofo faz todos os esforços para ser o peregrino dessa verdade, reconhecendo que ela não pertence nem a mim nem a ti, simplesmente está diante de nós. Eis aí, a máxima socrática: “O que eu sei, é que nada sei”. A filosofia ainda se manifesta pelo espanto e pela admiração, quando tomamos distancia do nosso mundo, através do pensamento, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se tivéssemos família, amigos, livros ou outros meios de comunicação, como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos. Então, Filosofia é ter atitude de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos do nosso cotidiano.

4. Resposta: Saiba que Filosofia é antes uma prática, um exercício do pensar. Implica colocar a racionalidade a serviço da curiosidade, do prazer de conhecer. Não basta apenas uma série de definições e teorias. É necessário aprender a filosofar. O filósofo Immanuel Kant (1724-1804) costumava dizer a seus alunos: “Não há filosofia que se possa aprender, só se aprende a filosofar” (KANT apud ARANHA e MARTINS, 1996, p. 72). O trabalho filosófico é um trabalho de reflexão. Esta palavra define bem a atitude do filósofo: reflexão vem do verbo latino reflectere, que significa voltas atrás. Filosofar significa, portanto, retomar, reconsiderar os dados disponíveis, revisar, analisar, examinar com cuidado, prestar atenção. É este o sentido da expressão ”acercar-se amorosamente do saber”. A palavra Filosofia origina-se do vocábulo grego philosophein, que significa amar (philia) a sabedoria (sophia) ou procura amorosa da verdade, entendida como reflexão da pessoa acerca da vida e do mundo. A Filosofia, além de sofia (saber, ciência), é a procura dessa Sofia. (CATANEO, 2008).


5. Resposta: A palavra Filosofia provém de dois termos gregos: philos (amar, gostar de) e Sophia (saber, sabedoria). Esta definição revela-nos que Filosofia não é tanto um saber constituído, uma Sofia estabelecida, mas antes um amor, uma procura, um interesse pelo saber. Narra-se que termo foi inventado por Pitágoras, filósofo grego do século VI a.C, que certa vez, ouvindo alguém chamá-lo de sábio e considerando este nome elevado para si mesmo, pediu que o chamassem simplesmente filósofo, isto é, amante da sabedoria, aquele que procura a sabedoria, que ama o saber, que indaga a verdade das coisas: o filósofo é um peregrino em demanda da verdade e não o possuidor dela, é homem cuja consciência se apresenta inquieta e insatisfeita. Embora a definição etimológica pouco nos diz acerca do que ela é, convém reter que está patente a convicção, bem vincada por Karl Jaspers, de que não é tanto a posse, mas a procura da verdade ou do saber que caracteriza a Filosofia. Podemos concluir que o homem, por mais que saiba, ainda deseja saber mais e nunca chega a saber tudo. Por isso, será sempre um amigo do saber e não um sábio propriamente dito. Aliás, a palavra Filosofia., isto é, amor a sabedoria, encerra bem dentro de si o caráter de incessante procura, indagação e investigação da verdade. Filosofar é estar a caminho.


6. Resposta: A palavra “Filosofia”, em sua etimologia, significa “amar (philia) a sabedoria (Sophia)”, e denota uma procura amorosa da verdade. Foi utilizada pela primeira vez por Pitágoras, em resposta àqueles que o chamavam de sábio. Ele respondia exigindo não ser chamado assim, mas “apenas amante da sabedoria”, isto é, alguém que procura o saber, ou seja, um filósofo. Podemos entender a Filosofia, então, como uma atitude. A Filosofia não implica a posse de um corpo de conhecimentos. Ao contrário, ela é uma prática, um exercício do pensar. Immanuel Kant costumava dizer a seus alunos: “Não Filosofia que se possa aprender, só se aprende a filosofar”. Dessa forma, “a atitude do filósofo é caracterizada pela humildade intelectual de quem convive com a dúvida” (CATANEO-2008), já que ele não é alguém que detém o saber, mas alguém que está a sua procura. O filósofo é aquele para o qual a realidade é sempre objeto de admiração crítica, de espanto e encantamento. Filosofia é reflexão. Esta palavra vem do verbo latino “reflectere”, que significa “voltar atrás”. Filosofar significa, portanto, reconsiderar os dados disponíveis, revisar, analisar, examinar com cuidado, prestar muita atenção, no sentido de “acercar-se amorosamente do saber”. A Filosofia é um exercício de raciocínio, é uma maneira de posicionar diante das coisas e dos fatos do mundo. (CATANEO-2008).

7. Resposta: Para CANDIDO, o filósofo é aquele em que a humildade fica por conta daquela dimensão de ignorância e admiração radical: tomar as coisas como desconhecidas, o mundo como enigma a decifrar, as verdades por desvelar e ser capaz de reconhecer a finitude humana do ato de conhecer. Segundo KANT, a Filosofia não é algo que possa ser aprendido, pelo simples fato que ela ainda não possui um corpo de conhecimento já constituído e acabado, ou seja, só se pode saber o que é Filosofia, no exercício da própria Filosofia. Para CHAUÍ (2000, pp 9-10), a Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber. Platão começa com a admiração. Aristóteles começa pelo espanto. Admiração e espanto significam: tomar distância do nosso mundo costumeiro, através do pensamento, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se não tivéssemos família, amigos e comunicação, é como se tivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos. A verdade não pertence a ninguém, ela é o que buscamos e que está diante de nós para ser contemplada e vista, se tivermos olhos (do espírito) para vê-la.

8. Resposta: Ao meu ver, as duas citações (objeto da questão), dizem respeito à atitude filosófica e a procura da verdade como essência da Filosofia, elementos fundamentais para a compreensão da filosofia. Pela definição nominal, a palavra grega (philosophos) formou-se por oposição a sophos. Ela designa aquele que ama o saber, em contraposição àquele que, possuindo saber, se chama sábio. Esta distinção inicial foi proposta por Pitágoras, persistindo este sentido até hoje, como assegura Karl Jaspers: “a essência da filosofia é a busca da verdade, não a sua posse (...) é estar a caminho”. Podemos entender a Filosofia, mais do que um determinado conjunto de idéias, como uma atitude, como diz Wittgenstein. Ela é uma prática, um exercício de pensar. Kant dizia a seus alunos: “não há filosofia que se pode aprender, só se aprende a filosofar”. Dessa forma, a atitude do filósofo é caracterizada pela humildade de quem convive com a dúvida. O filósofo é aquele que fica por conta daquela dimensão de ignorância e admiração radical: ao tomar as coisas como desconhecidas, o mundo como enigma a decifrar, as verdades por desvelar. Todo trabalho filosófico exige reflexão indagativa, coerente e crítica. E refletir significa “voltar atrás”. Dessa maneira, a filosofia está ligada ao retornar, ao revisar, ao examinar tudo com muito cuidado e atenção, no sentido de “acercar-se amorosamente do saber”.

9. Resposta: No meu entender, as citações acima dizem respeito à atitude filosófica e a procura da verdade como essência da Filosofia, que são os elementos fundamentais para melhor compreender o verdadeiro filosofar. Escolhi iniciar pela ordem histórica (apogeu grego). Filosofia não é Sophia (sabedoria), é somente o desejo, o amor (philo) dessa sabedoria. Tal distinção foi proposta por Pitágoras, e é atualmente ressaltada por Jaspers, que acentua: “a essência da Filosofia não é a posse do saber e, sim exatamente a procura do saber”. Fazer Filosofia é estar a caminho, e as perguntas são mais cruciais do que as respostas e, cada resposta surge sempre uma nova pergunta. Na pesquisa filosófica há uma verdadeira humildade que se opõe furiosamente ao dogmatismo do fanático, do convicto. Eis a máxima socrática: “Só sei que nada sei”. Já Platão e Aristóteles, viam na admiração e no espanto, os impulsos iniciais de todo o filosofar. E para Kant: “Não há filosofia que se possa aprender, só se aprende a filosofar”. Tudo isto significa que Filosofia não é uma doutrina acabada, é antes de tudo uma Atitude, uma prática de pensar permanente. O trabalho filosófico é Reflexão. E refletir é “voltar atrás”, isto é, retomar, revisar, analisar, examinar, prestar atenção (no sentido de acercar-se amorosamente do saber). Portanto, defino Filosofia, como: reflexão crítica em busca do saber, sobre a concepção geral do mundo e da vida, a totalidade das coisas e o ser enquanto ser.